23.2.10

Perdidos

Texto pessoal com uma pitada
de spoilers pra quem não viu 
Lost até o 604

 Alguns assistem por puro exercício do ócio, outros deixaram de assistir, e estes tem razões cabíveis, mas a grande maioria assiste por que gosta mesmo, os motivos variam de pessoa para pessoa, seus personagens, sua trama, seus mistérios, Lost é um fenômeno incontestável, não é a minha serie favorita, mas é das poucas que me enrrolam descaradamente e ainda a acompanho. 

"Don’t tell me what I can’t do!"

 Mais uma vez Lost retorna do recesso para 1) sua última temporada e 2) surpreender-nos mais uma vez, depois de inovar e porque não dizer renovar a televisão, Lost mais uma vez nos traz uma nova forma de narrar seus episódios, depois de flash-backs e flash-forwards, visões "Desmondianas",  e por vezes episódios parecidos mudando apenas a visão de quem o fazia, Lost traz os Flash-sideways, que para melhor compreensão do termo e do episódio em si recomendo aqui, o intuito deste texto é dizer porque assisto Lost, ou pelo menos continuo assistindo.
 Os Flash-sideways, são uma visão de um universo paralelo, um "e se..." do então enredo da serie, um avião cai numa ilha e seus sobreviventes descobrem que aquilo não foi mero acaso, e se o avião não tivesse caido é o que vemos nos FS. A série criou uma mitologia tão forte que muitos assistem na esperança de desvendar todos os mistérios criados, sejamos francos, eles não vão responder tudo, e além do mais, talvez isso seja a graça, não sou adepto do "me engana que eu gosto" mas, pensem só, o motivo nem sempre tem uma explicação geometricamente alinhada a trama, os números podem ser apenas neuras do seu guardião, como nos mostrou o episódio recente, episódio este que me fez revisitar novamente os bons momentos que tive com o seriado e também dar motivo pra escrever no blog, nunca antes dedicado algumas linhas a serie, o personagem principal aqui é Locke, o cadeirante a qual na série aprendemos a ver pronto pra "qualquer parada", este é o único personagem que não quer sair da ilha, afinal a ilha tirou sua enfermidade e o transformou vivaz novamente, em seu FS, acompanhamos um homem enfrentando sua deficiência e com uma grande reluta na hora de aceitar isto, afinal, é como se todo o conhecimento e tática que vimos nesses seis anos estivessem presos na cadeira, e é nesse ponto que destaco aqui, só neste episódio pude contemplar a amplitude dos FS, não é dos melhores episódios da série, é o melhor da temporada sem dúvida, mas a simplicidade do episódio mostra como Lost justamente não precisa de muito, seus idealizadores, fazem cenas antológicas com os pequenos detalhes que o destino tem em nossas vidas, no episódio 603, o ato de Saywer jogar o anel na água por exemplo, neste episódio, o rasgar do cartão do médico pela esposa, entre outros, são essas pequenas coisas por qual Lost chegou onde está.
 Assisto Lost por que antes de tudo me identifico com a série, e nisso posso ser clichê, mas quem não se sente perdido por vezes? quem não viu um déjà vu e ficou com aquilo em mente por tempos? quem não sabe que qualquer decisão, miníma que seja pode influenciar todo o futuro?
A serie traz estranhos de diferentes personalidades/origens que estão interligadas de algum modo, me senti por vezes assim, de repente acordamos e os amigos foram embora, as namoradas te deixarão, os amigos da universidade estão trabalhando longe, a familia não se reúne como antigamente, só resta então as lembranças, não ache que é um post triste, e sim um post de contemplação, contemplação ao que o futuro nos reserva, enquanto estamos vivos tudo pode acontecer (e não me diga o que não posso fazer - "Locke"),   no caso da serie é uma copia descarada da vida em si, muitos se vêem, inclusive eu na hora de pagar o pão, ir ou não a uma viagem, aceitar ou não um convite, etc... não preciso dizer que também espero que a série revele muitas coisas, mas de ante mão a mim o revelar é uma das cartas ao enredo que antes de tudo conta, a vida. (poético?).

Vai ser a primeira série que assisto por completo (mesmo), em seis anos, nós consumimos Lost ou é Lost que nos consome?  

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